Acidente de Mota 12 de setembro 2025

Diário da Recuperação - Relato pessoal e cronológico do meu processo de recuperação desde o acidente de mota até hoje.

Introdução

Passeio na mota pela Nacional 2, a mítica estrada que atravessa Portugal de norte a sul. O objetivo era simples: aproveitar a liberdade da estrada, sentir o vento no rosto e desligar um pouco do ritmo do dia-a-dia. Carregar baterias, refletir e regressar, fomos 2 amigos com o mesmo propósito.

Passeio na Nacional 2

Dia 1 — Inicio da Viagem

Viagem de Famalicão até Montargil
Dia 1

12h de viagem e 500km

Dia 1 — O Acidente

12, setembro — Local: KM 470 da Nacional 2
Local do acidente

O céu estava limpo, o trânsito calmo e a viagem prometia ser tranquila. O destino era Faro e eu pensava apenas em desfrutar do momento, sem imaginar que, minutos depois, a minha vida iria mudar de forma tão brusca. Foi nesse cenário de normalidade que, de repente, tudo aconteceu.


Hoje, não consigo descrever com clareza o que se passou. A última memória nítida que tenho é sair do hotel, a cerca de 10 km do local do acidente. Estava muito calor e, infelizmente, decidi iniciar a viagem sem casaco, apenas com luvas, capacete e botas.


11h42 — uma hora que jamais esquecerei — soaram os alarmes do SOS Emergência do meu iPhone. Quando recuperei a consciência, estava sentado na berma da estrada, sem capacete, com a mota ao meu lado e algumas pessoas à minha volta. O meu amigo Ricardo a quem agradeço do fundo do coração foi incansável, tratou de tudo. Um militar da GNR que passava pelo local orientou todo o processo, e poucos minutos depois chegou a ambulância.


Confiante de que estava tudo bem, levantei-me e caminhei até à ambulância, mas este foi um erro grave: os bombeiros deviam ter-me imobilizado imediatamente. Enquanto Ricardo cuidava do local do acidente — reboque, polícia, logística — fui informado que seria encaminhado para o Hospital de Évora, a 60 km do local.


No hospital, fui recebido por uma mistura de emoções. Encaminharam-me para a sala de emergência, onde me submeteram a inúmeros exames — TACs, raios-X e outros testes que não consigo recordar. A minha ansiedade aumentava, sentia-me perdido e vulnerável. Estava coberto de escoriações e feridas expostas, e os curativos não foram feitos adequadamente.


Recebi a notícia de que tinha o pé partido e que seria transferido para o hospital da minha residência, onde seria avaliado se seria necessária cirurgia. Por volta das 22h, os bombeiros chegaram para me transportar numa ambulância numa viagem de cinco horas até Famalicão. Durante o trajeto, as feridas estavam expostas e as costas ensanguentadas, a maca cheia de sangue. Pouco me lembro da medicação ou da viagem, apenas do desconforto extremo.


Ao chegar às urgências de Famalicão, fui recebido pelo meu padrasto. Descobrimos que o hospital nem sequer tinha sido informado da minha transferência. A enfermeira Motard que me atendeu ficou em choque com o estado em que fui enviado, mas foi incansável, cuidando de mim com extrema atenção. O meu padrasto manteve-se sempre ao meu lado, apoiando-me enquanto repetia todos os exames, devido à falta de informação enviada de Évora. Cada deslocação na maca provocava dores terríveis, mas finalmente comecei a receber os cuidados adequados.

Dia 3 — Hospital e Diagnóstico

Primeiros exames, diagnóstico e emoções iniciais
Hospital e exames

No hospital, lembro-me do cheiro a desinfetante e da frieza das luzes. O médico explicou que eu tinha [lesões — substituir]. Foi um momento de choque, mas também de alívio por estar vivo e com ajuda.